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Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação
Publicado em 08/01/2010

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	Roma   (Itália). A Jornada Mundial da Paz que foi 
celebrada no dia 1º de janeiro, neste ano, teve como tema:
Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação.
O tema escolhido é de grande atualidade, visto que a
questão ecológica e a do aquecimento global foram há
pouco o centro de uma grande Conferência das Nações
Unidas, realizada em Copenhague. Também naquela
ocasião, o Papa lançou um apelo e um chamado à
responsabilidade que a geração atual tem em relação às
gerações que virão. É interessante como o tema da paz
esteja ligado àquele da salvaguarda da criação. 

No centro da mensagem há uma imagem bíblica:a do
jardim da criação, confiado por Deus ao homem e à mulher
para que o cuidem e o cultivem.
Diz o Papa: «O respeito pela criação se reveste de
grande relevância, também porque “a criação é o início e
o fundamento de todas as obras de Deus” e a sua
proteção se torna hoje essencial em vista da pacífica
convivência
da humanidade. (...) É indispensável que a humanidade
renove e reforce aquela aliança entre ser humano e
ambiente, que deve ser espelho do amor criador de
Deus, do qual viemos e rumo ao qual nos dirigimos».

	Também na encíclica Caritas in veritate, o Papa já havia 
evidenciado como o desenvolvimento humano integral
está ligado aos deveres que derivam do relacionamento
do homem com o ambiente natural.
	A crise ecológica «oferece uma histórica oportunidade para elaborar uma resposta coletiva destinada a
converter o modelo de desenvolvimento global em uma direção mais respeitosa em relação ao criado e de um
desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores próprios da caridade na verdade».
	Neste   contexto, o Papa Bento XVI pede para adotar «um modelo de desenvolvimento fundamentado na
centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da
necessária mudança dos estilos de vida e na prudência, virtude que indica as ações a serem realizadas hoje, em
previsão daquilo que pode acontecer amanhã».
Para o Papa, “é necessário promover a busca e a aplicação de energias de menor impacto ambiental e a
redistribuição planetária dos recursos energéticos, de modo que também os países que deles são privados
possam ter acesso aos mesmos”.
Chama a atenção sobre a questão da água e do sistema hidrogeológico «cujo ciclo reveste uma primária importância para
a vida na terra e cuja estabilidade está fortemente
ameaçada pelas mudanças climáticas», e exorta a buscar «políticas idôneas na gestão das florestas, na eliminação do lixo,
na valorização das sinergias existentes entre o contraste
das mudanças climáticas e a luta contra a pobreza».
O Papa afirma que atualmente são muitas «as oportunidades científicas e os potentes percursos criativos, graças aos quais
é possível fornecer soluções satisfatórias e
harmoniosas à relação entre o homem e o ambiente».
«Para conduzir a humanidade rumo a uma total gestão sustentável do ambiente e dos recursos do planeta, o homem é
chamado a empregar a sua inteligência no campo da
pesquisa científica e tecnológica e na aplicação das descobertas que dela derivam».
Isto, sublinha, «poderia realizar-se mais facilmente se houvesse menos cálculos interesseiros na assistência, na
transferência dos conhecimentos e tecnologias menos poluentes».
Papa Bento deseja também uma
solidariedade científica para uma proteção global da criação, lembrando a forte inter-relação
«que existe entre a luta contra a degradação do
ambiente e a promoção do desenvolvimento humano integral».

O cuidado do ambiente, continua o Papa, pressupõe um dever de caráter ético em relação aos pobres, que são aqueles
que mais sofrem as consequências da degradação
ambiental, e às novas gerações.
É necessária «uma revisão profunda e previdente do modelo de desenvolvimento, e refletir sobre o sentido da economia
e dos seus fins, para corrigir as suas disfunções e
distorções». Isto é exigido pelo estado de saúde ecológica do planeta, mas também pela crise cultural e moral do homem.
A causa da crise, diz o Papa, é o fato de que «o ser humano se deixou dominar pelo egoísmo, perdendo o sentido do
mandato de Deus, e na relação com o criado se comportou
como explorador, querendo exercitar sobre este um domínio absoluto».
«Quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por
provocar a rebelião da natureza, mais tiranizada
do que governada por ele», adverte.
A crise ecológica «mostra a urgência de uma solidariedade que se projete no espaço e no tempo. É realmente importante
reconhecer, entre as causas da atual crise ecológica,
a responsabilidade histórica dos países industrializados».
«Os países menos desenvolvidos e, em particular, aqueles emergentes, não são contudo exonerados da própria
responsabilidade a respeito do criado, porque o dever de adotar
gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos», afirma o Papa.

Papa Bento XVI, conclui a sua mensagem dizendo ainda uma vez que «a busca da paz por parte de todos os homens de
boa vontade será, sem dúvida, facilitada pelo comum
reconhecimento da relação inseparável que existe entre Deus, os seres humanos e toda a criação».

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